sexta-feira, 21 de junho de 2013


O CINEMATÓGRAFO LUMIÈRE


Foto do Cartaz

A PRIMEIRA SESSÃO DO CINÉMATOGRAPHE LUMIÈRE.
No dia 28 de dezembro de 1895, um cartaz colocado à porta do Gran Café, no número 14 do Boulevard des Capucines, París, convida os transeuntes a descerem ao subsolo, do "Salão Índio", para tomarem conhecimento de uma novidade: O CINEMATÓGRAPHO.
Essa novidade seria apresentada pelos Lumière, prósperos industriais da cidade de Lyon, do ramo da fotografia.
Era a primeira vez em que seriam apresentadas "fotografias animadas", imagens em movimento. Seria um espetaculo coletivo, a ser visto por uma platéia.
Para ser assistida a exibição deveria ser paga, e nesta primeira sessão compareceram trinta e três espectadores, cada um pagando um franco pelo ingresso.
O programa a ser apresentado constava de dez filmes, cada um com cerca de dois minutos de duração, entre outros os seguintes:
A saída das Usinas Lumière em Lyon-Montplaisir
A chegada de um trem à gare de La Ciotat
O bebê tomando sua sopa
A partida de cartas
O mar
A parede
O jardineiro regado
À esquerda enquadramento do filme "A saída das Usinas Lumière"
à direita enquadramento do filme "A chegada de um trem".
UMA LEITURA CRÍTICA SOBRE OS FILMES.
Como foi dito acima, os Lumière eram industriais que produziam material fotográfico e a intenção deles foi conseguir a fotografia em movimento.
Seus primeiros filmes demonstram isso, pois, seus temas eram temas do cotidiano que já eram objeto da fotografia convencional.
"A saída das Usinas Lumière em Lyon-Montplaisir" foi exibido por Louis Lumière no dia 22 de março de 1895, portanto bem antes da sessão pública, em uma conferência sobre a indústria cinematográfica. O filme não teve maior repercussão nesta época, mas está claro que era uma demonstração de um avanço técnico no campo da fotografia.
Como os outros filmes do programa da primeira sessão, foi feito em uma só tomada, isto é, foi filmado continuamente, sem corte, com todo o filme que carregava o depósito da câmera.
O enquadramento era fixo, aquele que hoje chamamos de PLANO DE MEIO CONJUNTO. O filme mostrava o portão das Usinas Lumière se abrindo e os operários saindo. Saiam homens, mulheres, um rapaz empurando uma bicicleta...
Era um 
documentário sobre o término de uma jornada de trabalho.
Também "A chegada de um trem à gare de La Ciotat" era um documentário. Também um enquadramento fixo, um plano de meio conjunto mostrava um trem se aproximando de uma plataforma. A locomotiva e os primeiros vagões passavam pela esquerda da câmera. O trem parava e dele desciam os passageiros. Uma cena absolutamente comum, que tinha o atrativo do movimento, pois informam os historiadores do cinema que os espectadores se encolhiam em seus assentos, com a impressão que o trem ia passar sobre eles.
"O bebê tomando sua sopa" e "A partida de cartas" eram filmes familiares. Sempre em uma só tomada e em enquadramento fixo, o primeiro mostrava uma criança, filho de um dos Lumière, a tomar sua alimentação pelas mãos da mãe e o segundo, o pai dos Lumière, a jogar cartas com amigos.
"O mar", possui uma caracterítica a ser assinalada. O filme mostra um ancoradouro de onde sai um barco a remo. O barco navega pelo mar. A imagem, captada em contra-luz, mostra reflexos de luz na água criando um belo efeito. Talvez aqui tenhamos o primeiro filme com grande beleza plástica. Talvez aqui tenhamos a primeira manifestação que o cinema poderia ser arte. Sem dúvida é um atestado da qualidade técnica e artística dos Lumière.
O filme " A parede" mostra uma parede sendo demolida. Cai a parede, levanta-se uma nuvem de poeira e é só. Entretanto, ao se projetar esse filme de trás para a frente, tem-se a impressão que uma nuvem de poeira se junta e reconstrói a parede. Surgia a possibilidade de se fazer mágica com o filme. Estava inventado o "efeito especial", que na realidade só seria aproveitado criativamente pelo sucessor dos Lumière, o também francês, GEOGES MÉLIÈS.
O JARDINEIRO REGADO
Este filme destoa completamente dos outros que foram apresentados na primeira sessão do CINÉMATOGRAPHE.
Todos os outros eram documentários, isto é, filmavam coisas que existiriam mesmo que não fossem filmadas. Os operários iam sair, o trem ia chegar, o bebê ia se alimentar mesmo que não tivesse uma câmera presente.
Em "O jardineiro regado", não.
Foi um filme peparado para ser filmado, encenado portanto. A sua história era simples. Num enquadramento fixo era mostrado um jardineiro a regar com uma mangueira, plantas em um jardim. Perto dele um rapaz anda à toa. Em certo momento, esse rapaz pisa na mangueira d'água interromplendo seu fluxo. O jardineiro ao perceber que a água parou de sair, olha para o bico da mangueira. Neste momento o rapaz tira o pé da mangueira restabelecendo o fluxo da água que dá um banho no jardineiro. Este sai furioso atrás do rapaz, para lhe dar um corretivo.
Como se percebe o filme conta uma história, com principio, meio e fim.
Sua estrutura apresenta desenvolvimento, climax e desfecho. Foi o primeiro filme de ficção e a primeira comédia do cinema.
O jardineiro regado



quinta-feira, 20 de junho de 2013

A INVENÇÃO DO CINEMA

A CÂMERA CINEMATOGRÁFICA, inventada na última década do século XIX por THOMAZ ALVA EDSON, nos Estados Unidos, permitia gravar uma sucessão de imagens dos momentos de um movimento sobre filme fotográfico.
Inventor também do FONÓGRAFO, Edson queria unir o som à imagem.
Utilizou um filme fotográfico em rolo, com perfurações para que pudesse se mover dentro da câmera, criando aquilo que viria a ser a película cinematográfica, que permanece sem alterações significativas até hoje.
Já se sabia que imagens observadas em rápida sucessão criavam a ilusão de uma imagem única desde séculos anteriores e isso era aproveitado como simples curiosidade em brinquedos da moda ou interessava a cientistas que explicaram o PORQUE do fenômeno e o aproveitaram para uso prático.
A câmera de Edson era pesada e pouco prática, mas com elas foram obtidas as primeiras imagem que reproduziam o movimento em um aparelho de observação INDIVIDUAL chamado KINETOSCÓPIO.
O espectador dessas imagens, utilizando esse aparelho, PAGAVA por seu uso o que significa que o cinema nasceu já com o caráter comercial.


O KINETOSCÓPIO

O KINETOSCÓPIO  tinha a aparência de um armário e continha em seu interior cerca de 17 metros de filme que passava por roletes dentados, de uma fora contínua. A imagem em movimento era observada através de uma pequena tela, (talvez de vidro despolido ou uma lupa) por um observador individual que pagava para ver as imagens em movimento, como já foi dito acima.

Entretanto, em 3 de fevereiro de 1895, na FRANÇA, os industriais e irmãos LOUIS E AUGUSTE LUMIÈRE, patentearam um aparelho “destinado à obtenção e à visão de provas cronofotográficas”, ao qual chamariam mais tarde CINEMATOGRAPHO, muito mais leve e prático que o de Edson e que permitia PROJETAR imagens em movimento sobre uma tela para um grupo de pessoas
Os Lumière inventaram uma câmera que filmava, copiava os filmes e se transformava em projetor.
Nesse momento o cinema se tornava um espetáculo COLETIVO, e portanto, um FENÔMENO DE CARÁTER SOCIAL.


Os Irmãos LOUIS e AUGUSTE LUMIÈRE

terça-feira, 18 de junho de 2013


O CINEMA LEVADO A SÉRIO


O Cinema, para a maioria das pessoas é apenas divertimento.

Sim, o Cinema é divertimento, uma das maiores indústrias dos Estados Unidos, mas também é mais que simplesmente divertimento.
O Cinema é uma forma de comunicação fortíssima, uma linguagem de caráter universal que pode promover o conhecimento do homem pelo homem, mesmo que aquele que fez o filme viva a milhares de quilômetros de distância daquele que vê o filme.

Um outro aspecto é o CINEMA como fato cultural de muitas faces.
A pesquisa do que já foi feito em mais de 100 anos da existência do cinema pode ser vasta e enriquecedora.
Os filmes primitivos, o desenvolvimento da linguagem, (contribuição de tantas pessoas em todos os países do mundo), o que é feito hoje, nem sempre com preocupações culturais.
A MEMÓRIA, a CONSERVAÇÃO e RESTAURAÇÃO DOS FILMES.
Todos esses assuntos são passiveis de estudos sobre os mais variados pontos de vista. 
Pretendemos abordá-los sob a ótica das pessoas comuns, sem entrarmos profundamente em questões técnicas. 

Estamos abertos para recebermos colaborações de quem gosta do bom cinema e se importa com bons filmes.

A IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO DOS FILMES

Numa entrevista a Rudolph Chelminski, da revista Life, Langlois (Criador da Cinemateca Francesa ) disse:
"O papel mais importante do uma cinemateca é o de preservar. Muitas coisas que hoje parecem sem valor, com o tempo apresentam uma qualidade que não pudemos ver. Baudelaire e a Torre Eiffel são exemplos disso. Antes da guerra outras cinematecas tinham muito dinheiro e poderiam ter salvado muitos filmes. Por que não o fizeram? Porque decidiram escolher, enquanto deveriam ter optado por salvar tudo.
Julgar, como criticar, é um jogo. Uma aposta com o futuro. Por isso aceito qualquer filme não tenho motivos para recusar nenhum. Tenho até filmes que detesto.
Nunca admiti que os filmes não, pudessem ser salvos. Uma vez recebi um punhado de velhos filmes e os enviei a um laboratório para que fossem limpados e reenrolados. Foram logo devolvidos. Estão todos colados, disseram. É preferível jogá-los no lixo.
Ora, sou um mero preparador, não um químico. Peguei os filmes e descolei-os, fotograma por fotograma, lavei-os e pendurei- os para secar com pregadores de roupa.
Depois disso, obstinado, li sobre restauração de filmes _ está tudo lá nos livros, mas ninguém se dá ao trabalho de olhar. Todos me diziam que um filme não pode durar mais de 20 ou 30 anos, por que então guardá-lo? Ora, em nosso acervo temos alguns dos primeiros filmes mudos
e eles ainda não se deterioraram."

Talvez este seja apenas o ponto de vista de um amante do cinema. E não há muitos por aí. Mas é de suma importância preservar filmes, qualquer filme, não importa sua origem. Devem ser tratados como o restante de nossa herança artística _ como uma herança comum a todos nós.

Bhagwan D. Garga