O CINEMATÓGRAFO LUMIÈRE
Foto
do Cartaz
A PRIMEIRA SESSÃO DO CINÉMATOGRAPHE LUMIÈRE.
No dia 28 de dezembro de 1895, um cartaz colocado à porta do Gran Café, no número 14 do Boulevard des Capucines, París, convida os transeuntes a descerem ao subsolo, do "Salão Índio", para tomarem conhecimento de uma novidade: O CINEMATÓGRAPHO.
Essa novidade seria apresentada pelos Lumière, prósperos industriais da cidade de Lyon, do ramo da fotografia.
Era a primeira vez em que seriam apresentadas "fotografias animadas", imagens em movimento. Seria um espetaculo coletivo, a ser visto por uma platéia.
Para ser assistida a exibição deveria ser paga, e nesta primeira sessão compareceram trinta e três espectadores, cada um pagando um franco pelo ingresso.
O programa a ser apresentado constava de dez filmes, cada um com cerca de dois minutos de duração, entre outros os seguintes:
A saída das Usinas Lumière em Lyon-Montplaisir
A chegada de um trem à gare de La Ciotat
O bebê tomando sua sopa
A partida de cartas
O mar
A parede
O jardineiro regado
À esquerda enquadramento do filme "A saída das Usinas Lumière"
à direita enquadramento do filme "A chegada de um trem".
UMA LEITURA CRÍTICA SOBRE OS FILMES.
Como foi dito acima, os Lumière eram industriais que produziam material fotográfico e a intenção deles foi conseguir a fotografia em movimento.
Seus primeiros filmes demonstram isso, pois, seus temas eram temas do cotidiano que já eram objeto da fotografia convencional.
"A saída das Usinas Lumière em Lyon-Montplaisir" foi exibido por Louis Lumière no dia 22 de março de 1895, portanto bem antes da sessão pública, em uma conferência sobre a indústria cinematográfica. O filme não teve maior repercussão nesta época, mas está claro que era uma demonstração de um avanço técnico no campo da fotografia.
Como os outros filmes do programa da primeira sessão, foi feito em uma só tomada, isto é, foi filmado continuamente, sem corte, com todo o filme que carregava o depósito da câmera.
O enquadramento era fixo, aquele que hoje chamamos de PLANO DE MEIO CONJUNTO. O filme mostrava o portão das Usinas Lumière se abrindo e os operários saindo. Saiam homens, mulheres, um rapaz empurando uma bicicleta...
Era um documentário sobre o término de uma jornada de trabalho.
Também "A chegada de um trem à gare de La Ciotat" era um documentário. Também um enquadramento fixo, um plano de meio conjunto mostrava um trem se aproximando de uma plataforma. A locomotiva e os primeiros vagões passavam pela esquerda da câmera. O trem parava e dele desciam os passageiros. Uma cena absolutamente comum, que tinha o atrativo do movimento, pois informam os historiadores do cinema que os espectadores se encolhiam em seus assentos, com a impressão que o trem ia passar sobre eles.
"O bebê tomando sua sopa" e "A partida de cartas" eram filmes familiares. Sempre em uma só tomada e em enquadramento fixo, o primeiro mostrava uma criança, filho de um dos Lumière, a tomar sua alimentação pelas mãos da mãe e o segundo, o pai dos Lumière, a jogar cartas com amigos.
"O mar", possui uma caracterítica a ser assinalada. O filme mostra um ancoradouro de onde sai um barco a remo. O barco navega pelo mar. A imagem, captada em contra-luz, mostra reflexos de luz na água criando um belo efeito. Talvez aqui tenhamos o primeiro filme com grande beleza plástica. Talvez aqui tenhamos a primeira manifestação que o cinema poderia ser arte. Sem dúvida é um atestado da qualidade técnica e artística dos Lumière.
O filme " A parede" mostra uma parede sendo demolida. Cai a parede, levanta-se uma nuvem de poeira e é só. Entretanto, ao se projetar esse filme de trás para a frente, tem-se a impressão que uma nuvem de poeira se junta e reconstrói a parede. Surgia a possibilidade de se fazer mágica com o filme. Estava inventado o "efeito especial", que na realidade só seria aproveitado criativamente pelo sucessor dos Lumière, o também francês, GEOGES MÉLIÈS.
O JARDINEIRO REGADO
Este filme destoa completamente dos outros que foram apresentados na primeira sessão do CINÉMATOGRAPHE.
Todos os outros eram documentários, isto é, filmavam coisas que existiriam mesmo que não fossem filmadas. Os operários iam sair, o trem ia chegar, o bebê ia se alimentar mesmo que não tivesse uma câmera presente.
Em "O jardineiro regado", não.
Foi um filme peparado para ser filmado, encenado portanto. A sua história era simples. Num enquadramento fixo era mostrado um jardineiro a regar com uma mangueira, plantas em um jardim. Perto dele um rapaz anda à toa. Em certo momento, esse rapaz pisa na mangueira d'água interromplendo seu fluxo. O jardineiro ao perceber que a água parou de sair, olha para o bico da mangueira. Neste momento o rapaz tira o pé da mangueira restabelecendo o fluxo da água que dá um banho no jardineiro. Este sai furioso atrás do rapaz, para lhe dar um corretivo.
Como se percebe o filme conta uma história, com principio, meio e fim.
Sua estrutura apresenta desenvolvimento, climax e desfecho. Foi o primeiro filme de ficção e a primeira comédia do cinema.
O jardineiro regado




